Nas próximas eleições será necessário justificar voto
Depois de consolidar a utilização de urnas eletrônicas em todo o país e testar o uso de impressão digital para identificação em alguns municípios, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) irá incorporar uma nova tecnologia ao processo eleitoral brasileiro: a justificação do voto. A novidade pretende aprimorar ainda mais o processo de votação, e diminuir casos de fraude que possam ocorrer nas próximas eleições municipais.
O novo sistema de votação, que deverá ser testado em pelo menos 10 municípios brasileiros – entre eles São Gabriel –, foi baseado em modelo internacional, adquirido em 2011 pelo governo federal da empresa holandesa Endemol. As novas urnas eletrônicas serão equipadas com microcâmeras que captarão em vídeo a justificativa de todos os eleitores, e anexarão-as aos seus respectivos votos.
Embora a ideia tenha recebido diversas críticas, o TSE garante que essa é uma medida que só trará benefícios para a população. Segundo a instituição, os mesários das cidades escolhidas para testar a nova urna serão treinados com bastante antecedência, e as campanhas no rádio e TV irão orientar os eleitores para a melhor forma de justificar o voto. "Propostas interessantes", "bom histórico na política" e "afinidade", por exemplo, são boas justificativas.
As cidades escolhidas para testar o novo sistema ainda não estão completamente definidas, e dependem de negociações entre TSE e prefeituras. "Estamos escolhendo municípios de tamanho médio, na faixa de 50 a 70 mil habitantes, como São Gabriel ou Curralinho. Garanto que aos poucos as pessoas se acostumarão com a nova maneira de votar", disse George Santos Schneider, vice-presidente do TSE.
A maior polêmica é quanto a anulação de votos não-justificados, que seria feita pelos chefes de mesa das seções. Muitos acham que isso abriria espaço para fraudes, já que as interpretações das justificativas podem ser muito subjetivas. Em defesa, o TSE divulgou uma nota esclarecendo que todos os casos de anulação serão encaminhados ao judiciário – o único que terá o poder de validar ou não os votos dos eleitores.
Os líderes dos partidos reprovam a medida. O representante do PLOL reclamou: "Isso vai nos prejudicar muito, a maioria das pessoas nem sabe direito por que está votando nos nossos candidatos".
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