Quero falar sobre os conteúdos previstos para serem ensinados. Eu acho que tem coisa errada aí.
Pra começar, em algumas matérias a gente vê a mesma coisa do ensino fundamental. História: se estuda da pré-história até os dias de hoje. Português: se estuda a gramática inteira.
Geografia e Biologia, por outro lado, podem até explorar um lado diferente do visto no ensino fundamental, mas muita coisa é repetida.
Não adianta dizer que o aluno esquece o que viu no ensino fundamental, e que por isso tudo tem que ser revisado no ensino médio. Se fosse assim as pessoas teriam que ficar revisando o conteúdo a vida inteira. Não existe isso, se aprendeu, aprendeu. Ou por outra: dizem que o aluno é jovem demais no ensino fundamental, por isso não aprende. Ora, então ensinem só quando o cara já for maduro o suficiente! Não se aprende melhor por se ver 2 vezes a mesma coisa.
Dizem também que no ensino médio as coisas são vistas com mais detalhes. Tá bem. Quer dizer que em 3 anos o aluno vai ver o que já tinha visto em 4 (5ª a 8ª) com mais detalhes. Me expliquem como se faz essa mágica.
A história, mesmo, por exemplo. Faria muito mais sentido juntar tudo e, ao invés de estudar 2 vezes a mesma coisa (em 3 e 4 anos), estudar a história inteira em 7 anos. Aí sim ficaria bem mais fácil ver mais detalhes, ou refletir e fazer debates sobre os acontecimentos históricos, essas coisas. Faz bem mais sentido. Pode ser que 4 anos bastem, também, o que eliminaria a necessidade de História estar incluída no ensino médio.
Na verdade o que eu observo é que a área das humanas é bem inútil da maneira como é colocada. De novidade, mesmo, que se vê, são os conteúdos de Matemática, Física, Química. Nas demais disciplinas, não tem mais o que ensinar. E se o ensino médio privilegia assim as exatas, só quem é realmente interessado em aprender exatas para a vida deveria ser obrigado a fazer.
Não, mas eu não quero que as humanas sejam extintas do ensino médio. Não quero que o ensino médio deixe de existir. Uma boa ideia seria tornar as matérias facultativas. Faz quem quer. Nem todo mundo precisa saber nomear compostos orgânicos e – mais importante do que isso – quem não quer aprender não aprende, e a aula vira perda de tempo. Simples preparação pra prova, pra vestibular.
O que nós devemos fazer é integrar as disciplinas como história, filosofia, sociologia, literatura, artes.
Pra começar, inclua a literatura dentro das artes. Depois, mostre as artes como reflexo da história, relacionando obras e movimentos com momentos históricos. A sociologia, ao mesmo tempo, faz analogias das sociedades antigas com o presente; e a filosofia, em paralelo e indiretamente, auxilia a compreensão de tudo isso com as formas de pensar.
Gramática é ciência exata. Morfologia. Sintaxe. É muito bom aprender, mas devia ser ensinada de forma integrada ao ensino fundamental, onde se aprende a mesma coisa.
As outras matérias podem continuar como estão. As exatas estão bem. Só precisam passar a ser facultativas, ou então a apresentar melhor as utilidades práticas do conteúdo para os alunos. Quantos adultos aí tem noção do que é um mol, por exemplo? Quantos já aplicaram isso em algum momento da vida?
Assim, sem conclusão, termina meu texto.
Muito interessante o teu texto, Bruno. E em uma pequena passagem acho que resumiste muito bem o que vem a ser o Ensino Médio: "e a aula vira perda de tempo. Simples preparação pra prova, pra vestibular".
ResponderExcluirÉ uma tecla que venho batendo e discutindo há tempos com os meus amigos mais próximos. Infelizmente, a preocupação da comunidade escolar em relação ao ensino médio é o da aprovação no vestibular. Ou, em algum dia de aula, desde 2009, tu deixaste de ouvir está bendita palavra? Tanto faz se o aluno irá aprender realmente, contanto que ele decore algumas coisas para o vestibular.
O erro me parece vir de todos os lados, mas principalmente da avaliação "Vestibular" em si. Como tudo neste país é meio virado, creio que mudanças deveriam ser consideradas para o vestibular, somente a partir daí o Ensino Médio se obrigará a passar por reformas.